Bacias hidrográficas e representativas, qual a diferença?

Bacias hidrográficas e representativas, qual a diferença?

Muito se confunde sobre bacias hidrográficas e bacias representativas, como saber diferenciar? Entenda neste conteúdo!

Bacias hidrográficas

As bacias hidrográficas são áreas ou regiões do território compostas pela drenagem de um rio principal e seus afluentes. As águas da bacia escoam no mesmo sentido do rio e vão até a porção mais baixa do território, seguindo o relevo.

O que separa as bacias hidrográficas umas das outras são as estruturas do relevo como as serras, morros, picos ou chapadas – são o que definem o padrão da drenagem das águas de nascentes ou chuvas.

“Todo rio é delimitado por sua bacia hidrográfica, e as diferentes drenagens superpostas e integradas formam uma bacia hidrográfica maior. A bacia hidrográfica do Rio que contém as áreas de bacias menores”, explica o Presidente da ABRHidro, Cristovão Fernandes.

 

Segundo o IBGE, o Brasil possui 12 áreas ou regiões hidrográficas, entre elas estão: Tocantins, Amazonas, Paraná e São Francisco. Juntas elas englobam cerca de 80% do território brasileiro.

A bacia hidrográfica é onde acontece os diferentes processos hidrológicos incluindo água superficial e subterrânea de suas águas em direção ao rio. Portanto, qualquer tipo de poluição em sua área irá, inevitavelmente, afetar o rio em questão. 

“É  importante destacar a relevância da integração da gestão do território e de recursos hídricos, para o adequado planejamento de usos múltiplos e suas distintas peculiaridades visando o uso sustentável ”, comenta Fernandes. 

Bacias representativas

As bacias representativas podem ser definidas como bacias hidrográficas intensamente monitoradas que representam o comportamento das variáveis hidroclimáticas de uma região considerada homogênea do ponto de vista hidrológico.

Estas bacias são utilizadas para estudos hidrológicos sem que haja alteração de suas características fisiográficas, em especial solo e cobertura vegetal, que são mantidas estáveis. Assim sendo, há necessidade de grandes séries históricas de dados hidrológicos, em especial de vazão e precipitação. O principal objetivo de bacias representativas é produzir informações hidrológicas e meteorológicas para toda a região a que pertencem. Além de longos períodos de análise são feitos estudos climáticos, hidrológicos e pedológicos.

“A ideia básica é o contínuo monitoramento, para então entender a dinâmica dos processos hidrológicos, e se pode adequadamente planejar as ações de gestão de recursos hídricos”, complementa o Presidente.

Divisor de águas

O divisor de águas de uma bacia é na maioria das vezes definido pelos pontos de altitudes elevadas que a separam de uma outra bacia, dessa forma, de um dos lados do divisor, as águas escorrem para um um rio e do outro lado, as águas escorrem para outro. 

A qualidade dos rios está ligada ao grau de conservação de suas bacias. Isso porque ele é alimentado, além de suas nascentes e afluentes, pelas águas fluviais que escorrem sobre a área da bacia. Nesse percurso, essas águas podem levar consigo uma grande quantidade de lixo e resíduos sólidos, que contribuem diretamente para o aumento de suas taxas de poluição. 

Além disso, quando a cobertura vegetal da bacia hidrográfica é retirada, os rios podem acabar sofrendo com processos de sedimentação e erosão. Isso porque, ao escorrer, as águas “lavam” o solo, removendo partículas de solo e de rochas, chamadas de sedimentos. Sem as árvores para conter esse processo, ocorrem fenômenos como a formação de bancos de areia, a erosão de suas margens e, em alguns casos mais extremos, até a extinção do rio.

“Entender como funcionam os cursos d’água e a dinâmica das bacias hidrográficas é fundamental em Gestão de Recursos Hídricos, além de permitir a adequada formação, capacitação técnica e científica e sua inserção no processo participativo no âmbito dos respectivos Comitês ”, finaliza Cristovão.