Como funcionam as bacias representativas?

Como funcionam as bacias representativas?

Bacias representativas são consideradas “representativas” de uma região hidrologicamente homogênea e têm como função primordial a compreensão do comportamento hidrológico de uma área natural a partir da medição dos componentes do ciclo hidrológico. Entretanto, com o passar do tempo, o conceito original foi adaptando-se, incluindo, também áreas com intervenções antrópicas a fim de representar a realidade da bacia como um todo, permitindo-se, assim, que os resultados dos estudos fossem extrapolados para a bacia principal.

O ideal é que a área varie entre 1 e 250 km², raramente, excedendo 1000 km². Pois, quanto maior a área, maior tende a ser a dificuldade de organização da rede de monitoramento. É recomendado que o monitoramento nas bacias representativas seja de longo termo e, se for possível, integrado com o estudo de características climatológicas, pedológicas, geológicas e hidrogeológicas.

As primeiras bacias representativas surgiram no Brasil nos anos 70 a partir de uma iniciativa da SUDENE (superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) em parceria com o ORSTOM (Departamento Francês de Pesquisa Científica e Tecnologia) e universidades locais, com a finalidade de melhor compreender o comportamento hidrológico peculiar da região nordeste. Na década seguinte, observa-se um enfraquecimento desse programa e a implantação de projetos mais específicos com custos menores. Já no início dos anos 2000, houve um grande estímulo federal para apoiar o estudo em bacias representativas com o lançamento de chamadas públicas para financiamento de projetos através das agências de fomento de financiamento, Finep e CNPq. Dessa forma, diversas bacias representativas foram implantadas no Brasil impulsionadas por essas linhas de financiamento pontuais. Entretanto, poucas conseguiram manter o monitoramento até os dias de hoje.

“A operação e manutenção das bacias representativas é uma tarefa custosa e, no Brasil, quase impossível, devido à inexistência de uma linha de financiamento contínua e integrada que permita a continuidade do monitoramento a longo prazo”, comenta Mariana Villas Boas – Pesquisadora em Geociências do Serviço Geológico do Brasil – CPRM.

Referências:
Texto baseado em:
TOEBES, C., OURYVAEV, V., 1970. Representative and Experimental Basins, A International Guide for Research and Practice. Studies and Reports in Hydrology, UNESCO, Paris. 348 pp

MELO et al., 2020. The big picture of field hydrology studies in
Brazil, Hydrological Sciences Journal, DOI: 10.1080/02626667.2020.1747618